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Armazenamento · · · 10 min de leitura

Como escolher o melhor projeto para o leilão de baterias

Poucos desenvolvedores chegam ao LRCAP Armazenamento 2026 com um único projeto. O mais comum é ter uma carteira: terrenos em regiões diferentes, pontos de conexão em estágios distintos de negociação e configurações alternativas de potência e de fornecedor. Levar todos ao leilão raramente é…

Poucos desenvolvedores chegam ao LRCAP Armazenamento 2026 com um único projeto. O mais comum é ter uma carteira: terrenos em regiões diferentes, pontos de conexão em estágios distintos de negociação e configurações alternativas de potência e de fornecedor. Levar todos ao leilão raramente é possível, porque cada sistema inscrito exige sua própria garantia de proposta, de R$ 60.000 por MW, e cada vitória consome patrimônio líquido para habilitação, na proporção de R$ 600.000 por MW. Escolher mal tem um custo duplo: o projeto escolhido pode perder a disputa, e o projeto deixado de fora poderia tê-la vencido.

Este artigo propõe uma forma estruturada de fazer essa escolha, organizada em filtros sucessivos, e mostra como a G2A apoia empreendedores nesse processo por meio da AHP, sua ferramenta de avaliação comparativa de projetos.

Por que a escolha é mais difícil do que parece

O critério intuitivo é levar o projeto mais barato, ou o mais avançado. Os dois falham com frequência. O mais barato no papel pode estar em uma região elétrica disputada, onde a capacidade de escoamento se esgota antes que o lance seja alcançado. O mais avançado em licenciamento pode ter uma conexão que exige reforços caros.

A dificuldade decorre de três características da decisão. Os critérios competem entre si: custo, risco de prazo, posição na classificação e necessidade de capital raramente apontam para o mesmo projeto. As informações têm maturidades diferentes: um orçamento de EPC fechado não é comparável a uma estimativa paramétrica. E o prazo é curto. Pelo cronograma do edital publicado em 29 de outubro, as inscrições vão de 18 a 20 de novembro de 2026 e o aporte de garantias termina em 23 de novembro. Ainda é preciso decidir, antes, a qual produto concorrer, já que um sistema vencedor no Leilão 5/2026, com conteúdo nacional, em 2 de dezembro, não pode ser ofertado no Leilão 6/2026, sem essa exigência, em 4 de dezembro.

Primeiro filtro: o que elimina antes de qualquer conta

Antes de comparar custos, vale separar os projetos que simplesmente não podem participar ou que colocam o proponente em risco de inabilitação. Os editais dos Leilões 5/2026 e 6/2026 trazem uma lista objetiva, e ela é praticamente idêntica nos dois certames.

Do lado do sistema, ele precisa ter cadastramento técnico aprovado pela EPE, com pelo menos 30 MW, células e inversores novos, sob garantia do fabricante, e enquadramento como armazenamento autônomo, não colocalizado. No Leilão 5/2026 há uma exigência adicional: o sistema precisa atender aos requisitos mínimos de nacionalização do BNDES, comprovados pelo Sistema CFI, como condição para assinar o CRCAP e para a entrada em operação comercial. Há restrições de associação: o sistema não pode estar associado a uma usina com contrato regulado vigente no mesmo período, a uma usina conectada por instalações de distribuição ou por demais instalações de transmissão, a outro sistema de armazenamento, nem a um arranjo que restrinja seu despacho pelo ONS. Deve atender ainda aos requisitos técnicos de conexão definidos por ONS e EPE e ser capaz de operar de forma coordenada com equipamentos de controle próximos.

Do lado do proponente, constam o patrimônio líquido, a liquidez geral, a regularidade fiscal e o histórico de implantação de empreendimentos nos últimos 36 meses. Esses requisitos só são verificados após os lances, e uma inabilitação pode levar à execução da garantia, conforme detalhado no artigo sobre as garantias financeiras do leilão de baterias. Por isso, o filtro precisa ser aplicado antes da inscrição, e não após a vitória.

Segundo filtro: viabilidade técnica e de prazo

O projeto que passa pelo primeiro filtro precisa demonstrar que pode entrar em operação em 1º de agosto de 2028, início do suprimento previsto nos dois editais, com contrato até 31 de julho de 2043. Entre a autorização, prevista para meados de 2027, e o início do suprimento há pouco mais de um ano.

A conexão é o primeiro ponto. Projetos com contratos de uso e de conexão já celebrados têm o lance classificado independentemente da capacidade remanescente de escoamento, o que representa uma vantagem concreta no leilão. Para os demais, importam a margem disponível no barramento, a distância até a subestação e o risco de reforços em função do nível de curto-circuito. Depois vêm o terreno e o licenciamento, considerando que o cronograma deve situar a licença de instalação em pelo menos 60% do prazo entre a outorga e o suprimento, e a cadeia de suprimento, com prazos de entrega de células, inversores e transformadores.

Um bom critério aqui não é “o projeto é viável?”, mas sim “qual a folga do cronograma?”. Um atraso superior a 90 dias na operação comercial pode custar até metade da garantia de fiel cumprimento, ou a garantia inteira. Projetos sem folga deveriam, em comparação, ter um custo de risco proporcionalmente maior.

Terceiro filtro: economia e financiamento

Com a lista reduzida aos projetos elegíveis e exequíveis, chega a vez da comparação econômica. A métrica central é a tarifa de equilíbrio de cada projeto: a Receita Fixa anual que remunera o capital, convertida em reais por megawatt-ano para ficar comparável ao preço de lance. A EPE usa essa mesma lógica para construir o preço-teto, e replicá-la com dados próprios permite posicionar cada projeto na curva de oferta. Com os editais publicados, a régua deixou de ser estimada: o teto é de R$ 1.760.000/MW.ano no Leilão 5/2026, com conteúdo local, e de R$ 1.580.000/MW.ano no Leilão 6/2026, sem essa exigência. O artigo sobre como a EPE calcula o preço-teto dos leilões de armazenamento detalha as premissas que mais influenciam esse cálculo.

A comparação só é justa se as tarifas forem calculadas sobre bases equivalentes: mesma data-base, mesmo câmbio, mesmo tratamento tributário, mesma premissa de custo de capital, sobredimensionamento e augmentation coerentes com o perfil de degradação de cada fornecedor. Diferenças que decorrem de premissas inconsistentes, e não dos projetos, são a principal fonte de escolhas erradas.

O financiamento também entra aqui. Um projeto que se qualifica como produto com conteúdo nacional pode acessar linhas de crédito do BNDES em condições diferenciadas — e a diferença de cerca de 11% entre os dois tetos é a medida objetiva desse prêmio. Um projeto no Nordeste pode ser avaliado pelo FNE Verde. O custo de capital de cada alternativa altera a tarifa de equilíbrio, às vezes mais do que as diferenças de CAPEX.

Por fim, a carteira tem restrições próprias. A garantia de proposta é de R$ 60.000 por MW instalado para cada sistema inscrito, e o patrimônio líquido mínimo é de R$ 600.000 por MW, aferido com base no conjunto de compromissos assumidos nos Leilões 5/2026 e 6/2026, sem admissão de comprovação proporcional. Inscrever cinco projetos pode ser financeiramente inviável, e vencer todos pode tornar a habilitação inviável. A escolha é, ao mesmo tempo, de projetos e de quantos projetos.

Quarto filtro: a posição no leilão

Dois projetos com a mesma tarifa de equilíbrio podem ter chances muito diferentes de vitória. Um sistema conectado a um barramento listado no Anexo II da Portaria nº 136/2026 recebe bonificação locacional na classificação, o que lhe permite vencer com preço mais alto. A bonificação não altera o teto, apenas a ordem de classificação. Um sistema em uma região com baixa capacidade de escoamento disputa espaço com todos os demais projetos da região, inclusive com os do próprio desenvolvedor. Dois projetos da mesma carteira, no mesmo ponto elétrico, podem acabar competindo entre si.

O porte também influencia. Quando sobra pelo menos 30 MW para completar a quantidade demandada, o lance marginal pode ser ratificado apenas para a parcela remanescente, na etapa de ratificação prevista no edital. Um projeto menor e bem posicionado pode ocupar espaços que um projeto grande não consegue ocupar.

Juntando tudo: critérios eliminatórios e critérios pontuados

Os quatro filtros podem ser organizados em uma matriz simples, que separa o que elimina do que diferencia.

Dimensão

Critério

Tipo

Elegibilidade

Cadastramento EPE, porte, equipamento novo, enquadramento e associação

Eliminatório

Proponente

Patrimônio líquido, liquidez, histórico, capacidade de aportar garantias

Eliminatório

Técnica

Situação da conexão, margem de escoamento, risco de reforços

Pontuado

Prazo

Folga do cronograma, licenciamento, suprimento

Pontuado

Econômica

Tarifa de equilíbrio em R$/MW.ano e distância ao teto publicado

Pontuado

Financeira

Custo de capital acessível, enquadramento no produto A ou B

Pontuado

Competitiva

Bonificação locacional, concorrência na região elétrica

Pontuado

O risco de uma matriz como essa é a falsa precisão. Pesos escolhidos sem critério, notas atribuídas a diferentes qualidades e uma única pontuação final podem esconder exatamente o que importa. A matriz só é útil se permitir ver por que um projeto ficou à frente do outro e o que mudaria a ordem.

Como a AHP, ferramenta da G2A, apoia essa escolha

Foi para esse tipo de decisão que a G2A desenvolveu o AHP, sua ferramenta de avaliação de projetos de armazenamento. O nome vem do Analytic Hierarchy Process, método de apoio à decisão multicritério criado pelo matemático Thomas Saaty nos anos 1970 e amplamente utilizado em decisões de infraestrutura e de energia. A ideia central do método é decompor uma decisão complexa em uma hierarquia de critérios e definir a importância relativa de cada um por meio de comparações, em vez de atribuir pesos arbitrários.

O uso é direto. O empreendedor decide quais filtros importam para a sua estratégia: se prioriza o custo, a segurança do cronograma, a situação da conexão ou o acesso a financiamento, por exemplo. Em seguida, responde a perguntas específicas sobre cada projeto da carteira, abordando suas características técnicas, financeiras e econômicas. A ferramenta combina essas respostas com as prioridades definidas e apresenta o resultado de forma visual e lúdica, destacando quais projetos se sobressaem e em quais aspectos.

Isso responde ao risco da falsa precisão discutido acima. Como o peso de cada critério deriva das prioridades declaradas pelo próprio empreendedor, é possível entender por que um projeto ficou à frente de outro e testar o que acontece quando as prioridades mudam. Um projeto bem colocado em termos de custo, mas frágil na conexão, aparece como tal. Um projeto mediano em tudo, mas sem nenhuma fragilidade. E sócios e financiadores passam a discutir o mesmo quadro, em vez de planilhas extensas.

O AHP não substitui a análise de engenharia nem a decisão de negócio. O que ela faz é garantir que todos os projetos sejam avaliados pelos mesmos critérios e que o resultado seja compreensível para quem precisa decidir. Em um leilão com cronograma apertado e compromissos financeiros relevantes, essa clareza encurta o caminho entre a análise e a decisão.

O que esta série procurou mostrar

O LRCAP Armazenamento 2026 é o primeiro leilão brasileiro dedicado exclusivamente a baterias, e suas regras exigem uma leitura que vai além do preço. As garantias definem quanto custa entrar e quanto pode ser perdido. A competitividade depende de conexão, perdas, degradação, financiamento e prazo, não apenas do equipamento. Os preços-teto, de R$ 1,76 milhão/MW.ano no Leilão 5/2026 e de R$ 1,58 milhão/MW.ano no Leilão 6/2026, mostram a régua pela qual cada projeto será medido e o que essa régua deixa de considerar. E a escolha do projeto é o momento em que tudo isso precisa ser reunido em uma decisão.

A implicação prática é de calendário. Com inscrições a partir de 18 de novembro e sessões em 2 e 4 de dezembro, os filtros descritos aqui precisam ser aplicados nas próximas semanas, antes do aporte das garantias, quando a decisão ainda pode ser revista sem custo. Para empreendedores que querem comparar a própria carteira com critérios consistentes, conheça o AHP, ferramenta de avaliação de projetos da G2A, e veja como seus projetos se posicionam antes de levar qualquer um deles ao leilão.

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